07 de outubro de 2026
Eleição 2026: esperar pra comprar?

Esperar a eleição passar para comprar imóvel raramente compensa: segundo a Brain, a intenção de compra chegou a 52% em junho de 2026, o maior nível desde 2019.
A eleição realmente trava a compra de imóvel?
Não trava a vontade de comprar. A Brain Inteligência Estratégica, em pesquisa nacional com 1.200 entrevistas feita em junho de 2026 e divulgada pela Abrainc, mediu a intenção de compra mais alta da série histórica, que começou em 2019, em pleno ano eleitoral.
Em outra pesquisa, divulgada pelo Portas, a Offerwise ouviu 1.400 pessoas em seis capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Goiânia) em julho de 2026: entre quem pretende comprar, 51% disseram que a eleição presidencial não muda nada no plano.
O mesmo levantamento mostra o outro lado: 48% se declararam inseguros para assumir um financiamento de longo prazo neste momento. A insegurança existe e é legítima. Ela só não mudou a decisão da maioria.
Por que a necessidade de morar não espera?
Porque ela é medida em famílias, não em calendário eleitoral. Segundo a PNAD Contínua do IBGE, divulgada em abril de 2026, o Brasil foi de 66,7 milhões de domicílios em 2016 para 79,3 milhões em 2025. São 12,6 milhões de domicílios a mais em nove anos, atravessando governos diferentes, e cerca de 2 milhões só em 2025.
Parte da explicação está no tamanho das famílias. Segundo o Censo do IBGE, a média de moradores por domicílio caiu de 3,31 em 2010 para 2,79 em 2022. Famílias menores significam mais endereços para a mesma população.
Em Teresina, essa cultura é ainda mais forte. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 80% dos moradores vivem em domicílio próprio, o maior percentual entre as capitais do país, à frente de Macapá (78,5%) e Belém (76%).
Teresina valorizou mesmo em ano de eleição?
Valorizou. Segundo o Índice FipeZap, divulgado pelo Portal O Dia, os imóveis residenciais de Teresina subiram 5,08% no primeiro semestre de 2026, a quinta maior valorização entre as capitais, contra 2,42% da média nacional.
Isso muda a conta de quem decide esperar. Enquanto o calendário passa, o preço do imóvel não fica parado, como mostramos em Selic cair: vale esperar pra comprar?.
Então todo mundo deve comprar agora?
Não. O que decide é o seu momento, não o calendário. Três perguntas ajudam a separar o que é decisão do que é ruído:
- A parcela cabe na sua renda de hoje, sem depender de nenhum cenário político?
- Você tem reserva para a entrada e para os imprevistos do primeiro ano?
- O imóvel resolve a fase da vida que você está vivendo, seja sair do aluguel, ganhar espaço ou acompanhar a família?
Se as três respostas forem sim, o resultado da urna dificilmente é o que pesa. Se alguma for não, o caminho é ajustar o plano, e não esperar a eleição passar.
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